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Ubatuba (SP) tem mata atlântica recortada por rios, cachoeiras e praias

Caminho meio escondidinho é aquele. O veículo acaba de deixar a Rio-Santos, uma das mais belas rodovias do país com quilômetros que margeiam orlas com mata atlântica de um lado e, de outro, enseadas emoldurando praias. No sentido Santos- Rio, tem que entrar rumo à praia Dura. E é exatamente em direção à praia da Fortaleza que o espetáculo é ainda mais arrebatador.

Vá se encantando com as paisagens da costa. Lua cheia e céu apinhado de estrelas são sinais de que o Sol vai nascer com toda a energia na manhã seguinte. Dito e feito. De volta à estrada, passa-se pertinho da praia Vermelha do Sul, também conhecida como praia dos Arquitetos. Cercado de verde e de belas casas por todos os lados, vegetação de restinga preservada, o condomínio evidencia que é possível, sim, rolar uma integração bem-sucedida entre homem e natureza.

Ubatuba tem dessas coisas. Graças ao bom-senso e à contenção da expansão imobiliária, um de seus maiores encantos continua preservado: a natureza. Dentro do município, existe uma área respeitável do Parque Estadual da Serra do Mar.

O verde serpenteia a orla até a divisa com o Rio. Poucos trechos do litoral brasileiro são tão diversificados. A topografia de litoral recortado oferece um festival de praias capaz de agradar qualquer veranista. Em termos de diversidade e, sejamos sinceros, de beleza, nem São Sebastião nem Ilhabela empana o brilho de Ubatuba.

Ainda tem aquelas privilegiadíssimas praias que decoram ilhas. Falando nelas, a mais visitada e de fácil acesso é a Anchieta, com seu presídio centenário e uma oferta de piscinas naturais.

Vale aqui um registro histórico. Chamada no passado de Tapera de Cunhambebe, em homenagem a um importante cacique tupi, que exerceu papel crucial na luta contra os franceses e no plano de catequização dos índios promovido pelo padre jesuíta José de Anchieta (1534-1597), a ilha foi lar de índios tupi-nambás antes de virar presídio.

Celas em ruínas são o que resta da colônia correcional, projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo. Inaugurada em 1908 e transformada em presídio durante o governo de Getulio Vargas, em 1934, o próprio Vargas mudou o nome do local para ilha Anchieta, para comemorar o 400º aniversário do famoso padre.

O presídio sucumbiria em 1955, três anos após uma rebelião, na qual cerca de 400 presos dominaram guardas, mataram soldados e funcionários e deram adeus à ilha.

Mas essa parte da história não é lembrada na explanação dos guias que recepcionam os visitantes. Em menos de cinco minutos de conversa, eles ensinam quais passeios fazer e como se comportar corretamente por aquelas bandas.

Anchieta hoje é um bom lugar para a prática de snorkeling ou de mergulho autônomo, pois é possível avistar, em meio à grande variedade de espécies marinhas, as estrelas-do-mar, símbolo do Parque Estadual da Ilha Anchieta. A ilha também é um dos principais habitats das tartarugas marinhas na região.

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