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Chapadas dos Veadeiros
Localizado a 230 km ao norte de Brasília (DF), o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é considerado um dos maiores patrimônios ecológicos do Brasil. Ocupando uma área de 60 mil hectares, o parque oferece ao visitante diversas belezas naturais intocadas, como paredões rochosos e precipícios, rios e cachoeiras, vales e cânions, campos de cerrado, córregos e piscinas.
Dentre as muitas histórias que o povo local adora contar, uma delas diz que o nome Veadeiros surgiu da tradição de caça de veados na região, sempre auxiliada por cachorros, os tais veadeiros. De todos os “causos” que você vai ouvir lá, este é, é sem dúvida, o mais plausível e coerente. Na realidade, o que mais se ouve na região, especialmente na mística Alto Paraíso, são histórias sobre extraterrestres, energias cósmicas especiais e até um apocalipse que pouparia apenas a região da Chapada.
Por este motivo, a área recebe diversas correntes filosóficas e esotéricas, que acreditam seriamente nas forças sobrenaturais de Veadeiros. Muitos acabam ficando por lá, razão pela qual boa parte da população é bem zen e alternativa.
Crenças e mistérios à parte, o que realmente atrai milhares de pessoas “comuns” que todos os anos visitam a Chapada é a natureza. A região, a mais alta do planalto central (com 1.600 metros acima do nível do mar), é banhada pelos rios Preto e São Bartolomeu, que originam muitas e belas cachoeiras, corredeiras e piscinas naturais. Aliás, essa imensa quantidade de água pode se tornar um dos únicos problemas para o ecoturismo. No período de chuvas, não é raro os rios transbordarem e impedirem alguns passeios. Por isso, vá entre maio e outubro, quando os rios são mais seguros e os campos, floridos.
Para chegar ao parque, é preciso passar pelas pequenas cidades de Alto Paraíso e São Jorge. Na primeira, só se fala em templos, meditações e comida integral. Tudo muito espiritual. Na segunda, mais voltada para a ecologia, os assuntos são trilhas, cachoeiras e aventuras. É em uma delas que você vai encontrar seu hotel ou pousada, mas o legal mesmo é ficar na simples São Jorge, bem na entrada do parque nacional. O povoado, com 250 habitantes, já abrigou mais de 3 mil pessoas que lá trabalhavam no garimpo de cristal quartzo. Hoje, a maior parte da população trabalha para o turismo, seja em pousadas e restaurantes ou mesmo como guias.
Quando você chega a São Jorge, é hora de abandonar o carro. Desde a entrada do parque, todos os passeios são feitos a pé, sempre acompanhados por um guia credenciado pelo Ibama. Para entrar, paga-se uma pequena taxa à administração, de R$ 3,00.
Os passeios no parque podem durar o dia todo. O visitante fica até um tanto perdido em meio à natureza intocada (por isso, não se aventure sem guia.). A vegetação é típica do cerrado, com plantas rasteiras, árvores retorcidas e espécies muito diferentes, como a Paepalantus sp (conhecida como chuveirinho), uma das plantas-símbolo da região.
Mas a vegetação é apenas uma das muitas coisas com poder de surpreender até o visitante mais viajado. Ao seguir pelas trilhas, é possível ver antigos locais de escavação de cristal de rocha. A quantidade do mineral na região é tanta que às vezes a terra brilha, refletindo a luz do sol nessas pedras.
Muita beleza também pode ser vista nas cachoeiras e piscinas formadas ao longo do percurso do principal rio que corta o Parque, o Preto. Dentre as cachoeiras, há as famosas Saltos do Rio Preto, duas quedas seguidas e enormes, com 80 e 120 metros. Há também a Cachoeira das Cariocas, uma das atrações mais queridas da região, conhecida pelo belo visual e as gigantes piscinas naturais.
Como se trata de uma chapada, o próprio relevo da região oferece um grande impacto visual. É o caso, por exemplo, dos cânions, que contam com paredões de até 40 metros de altura e vãos de até 300 metros. O passeio para os cânions é o mais longo do Parque, mas também um dos mais agradáveis devido aos refrescantes banhos de rio no caminho. As formações, ainda, não ficam muito distantes da Cachoeira das Cariocas, valendo o passeio duplo.
Outra atividade imperdível é a caminhada que leva aos dois saltos do Rio Preto. A atração pode ser contemplada de duas formas: uma pelo mirante, de onde se avista as quedas de cima, e outra das praias e piscinas naturais, ao pé do salto Além de belas e refrescantes, muitos acreditam que as águas dos saltos têm poderes terapêuticos.
Estas são as principais atrações dentro dos limites do Parque, mais ainda vale a pena explorar as proximidades. Localizados em propriedades particulares, ao longo dos córregos São Miguel e Raizama e do rio Tocantinzinho, há ainda o salto do Raizama, a Morada do Sol, o Vale Encantado e o cânion do Tocantinzinho. Todos merecem uma visita.
Quem curte cachoeiras também vai adorar conhecer as Almécegas, dois largos saltos de 30 e 60 metros de altura, que extasiam qualquer visvisitante. E há também o Parque Solarion, abrigo de duas cachoeiras mais escondidinhas, mas igualmente imperdíveis: a dos Anjos e dos Arcanjos. Pode acreditar: os nomes divinos não são por acaso.
Quer mais uma dica? Tranquilidade e espiritualidade não faltam também na vista do pôr-do-sol colorido, apreciada de cima do chamado “Mirante do Areião”, um ponto alto localizado fora do Parque. No fim da tarde, os visitantes se reúnem no local, acomodando-se sob grandes árvores, e ainda aproveitam o quentinho das fogueiras acesas assim que anoitece.
Misticismo
As belezas naturais da região são realmente espetaculares, mas este não é o motivo pelo qual a Chapada dos Veadeiros se tornou tão conhecida. Alto Paraíso de Goiás é tida como a capital mundial do misticismo, famosa por reunir vários grupos esotéricos. O caráter místico do local se deve a uma união de vários fatores: em primeiro lugar, tem uma concentração incomparável de cristais de quartzo na terra. Graças a eles, a chapada é o ponto de maior luminosidade visto da órbita do planeta, de acordo com dados da NASA.
Em segundo, a região é atravessada pelo Paralelo 14, o mesmo que passa pela lendária cidade inca de Machu Picchu, no Peru. Muitos acreditam que esse paralelo é um ponto de energia especial, motivo pelo qual há relatos de aparições de óvnis nas áreas contempladas pela linha. Além disso, Veadeiros abriga o mais antigo patrimônio geológico da América, a placa Arai, formada há 1 bilhão e 800 milhões de anos.
Esse clima zen vai além da natureza “sugestiva” e pode ser percebido claramente na população e em grande parte dos turistas, quase sempre muito místicos. Não há um habitante de Alto do Paraíso, por exemplo, que não afirme ter visto estranhas luzes no céu, e muitos acreditam na estreita ligação da região com seres de outros planetas. Isto sem contar os campos de energia, que influenciam até mesmo o formato das casas da região. Inusitadas, há moradias em forma de bolas, gotas, iglus e pirâmides.
Vale da Lua
Por isso, nem é preciso sair da cidade para se deparar com paisagens e pessoas únicas. E falando em única, uma atração em especial é parada obrigatória para qualquer visitante, místico ou não. Trata-se do Vale da Lua, na estrada que liga Alto do Paraíso a São Jorge. O carro é deixado em uma fazenda à beira da estrada e se caminha por uma pequena trilha até um dos lugares mais impressionantes da viagem. São formações rochosas com afloramentos vulcânicos e crateras esculpidas pela força da água do rio São Miguel, tão diferentes que até são comparadas à superfície lunar – daí o nome do vale. Essa beleza toda ainda é permeada por deliciosas piscinas naturais, ideais para banho.
De uma forma ou de outra, a Chapada dos Veadeiros é surpreendente. Quem visita, fica em dúvida sobre o que é mais inacreditável: as histórias místicas, os extraterrestres ou as curiosas belezas naturais, preservadas pelo homem e sabe-se lá por quem mais.
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